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Boavista 0-2 Benfica: vitória da intensidade

por Pedro Gomes, em 19.08.18

Rui Vitória repetiu praticamente o onze inicial utilizado em Istambul, substituindo apenas Castillo por Ferreyra, na sequência da lesão do chileno. Oportunidades para outros jogadores fora do onze estão, para já, limitadas. Na terceira previsão do blog, surgiu a falha em toda a linha na previsão, em todo o caso, o mais importante, que era a vitória, foi assegurado.

 

Pontos positivos

O golo de Ferreyra surgiu precisamente de uma grande virtude do Benfica no primeiro tempo, i.e., a capacidade de ser intenso após perda. No lance do golo, Ferreyra e Cervi forçam os defesas boavisteiros a atrapalharem-se e a bola acaba por sobrar para Ferreyra, que após várias tentativas de remates deste género em jogos anteriores, rematou certeiro para golo.

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Assente nos mesmos princípios do golo de Ferreyra, surgiu o segundo golo. Pressão intensa e disponibilidade de Salvio, que depois ganha em velocidade ao defesa axadrezado, servindo no momento certo Pizzi, que assim voltou a marcar num bom gesto técnico. Destaque-se que o bom posicionamento de Pizzi na hora de finalizar a jogada é decorrente da disponibilidade para pressionar num momento anterior:

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O português teria ainda nova oportunidade de golo, mas cara a cara com o guarda-redes, resolveu mal a finalização e permitiu a defesa. Ressalve-se a capacidade de aos 89 minutos ainda se pressionar assim:

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Salvio e Almeida protagonizaram também duas excelentes oportunidades de golo, num tipo de jogada que começa a ser clássica do Benfica, com Ferreyra a descer para receber pela meia-esquerda atraindo marcação e a linha defensiva, para, pela direita, Almeida ou Salvio atacarem a profundidade. Salvio teve mais tempo e espaço para finalizar que o português, mas falhou perante o guardião do Boavista. Almeida tentou de forma acrobática, mas o remate saiu de raspão.

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Gedson protagonizou também várias progressões com bola interessantes e perigosas. Na primeira parte praticamente todas as iniciativas do jovem foram bem resolvidas por um Boavista organizado, contudo, no segundo tempo, Gedson causou muito mais dificuldades, levando os boavisteiros a recorrer à falta, permitindo ao Benfica diminuir o ritmo de jogo. Começa a ser um caso sério Gedson, e as suas arrancadas com bola abrem muitos espaços e permitem ao Benfica subir muito no terreno de forma apoiada.

 

Grimaldo e Cervi protagonizaram mais um jogo de grande intensidade defensiva e ofensiva. Muita qualidade da dupla da esquerda.

 

Pontos de melhoria

Toda a partida foi marcada por um ritmo elevado imposto pelo Benfica que empurrou o Boavista para trás. Excetuando o lance de Falcone ao quarto minuto de jogo, em que o alinhamento defensivo falhou, o Benfica foi muito intenso após perda e procurou criar jogo a partir de combinações nas laterais, contudo muitos lances (em especial na primeira parte) se perderam por cruzamentos sem destinatário, ou se o tinham, muito mal executados.

 

O Boavista começou a crescer com o aproximar do final do primeiro tempo, fruto de uma baixa de intensidade do Benfica, mas sem nenhuma oportunidade clara de golo, mostrando a defesa do Benfica capacidade de rivalizar nos duelos individuais. No reatar do segundo tempo o Benfica voltou a aumentar a intensidade e a reação do Boavista foi praticamente inexistente. Do ponto de vista de aspetos a melhorar, há muito pouco a acrescentar.

 

Em suma, um jogo em que o Benfica cumpriu na plenitude os objetivos, dando mais confiança para os desafios que se avizinham.

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2 comentários

De Pedro Gomes a 19.08.2018 às 13:45

A relação não é assim tão linear, entre ritmos elevados agora para posterior quebra no resto da época. Depende sobretudo da qualidade da recuperação. O Bruno Mendes (Benfica Lab) tem diversa investigação nesta área, pelo que o Benfica tem gente competente a dotar a equipa técnica de dados para utilização/rotação dos jogadores. Se quiseres dar um vista de olhos nos artigos do Bruno Mendes podes começar por aqui (https://scholar.google.pt/citations?user=cwqUtVQAAAAJ&hl=pt-PT&oi=sra).
Certas lesões graves são impossíveis de prever, nem estão associadas a maior ou menor intensidade. O caso recente do Ebuehi, com uma rutura dos ligamentos cruzados do joelho, é um exemplo de uma lesão grave associada aos movimentos e ao impacto no futebol em geral, podendo surgir num jogo em que o jogador pressiona muito, ou num jogo em que jogando a passo tem uma colisão com um adversário. Já agora, ter uma rutura dos ligamentos cruzados do joelho num jogador jovem aumenta a probabilidade de voltar a ter outra lesão igual no futuro, no mesmo ou noutro joelho.
Nesta matéria, o Benfica está muito bem. Tão bem que se pode dar ao luxo de contratar jogadores com historial de lesões graves (Fejsa, Jonas, Grimaldo) e com isso assumir riscos na contratação que outros clubes não assumem.

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