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Quem já se existe há tempo suficiente para ler estas palavras, ou se possui uma memória que não se esfuma a cada semana, já se percebeu que na vida e no futebol, em particular, as coisas nem sempre acontecem como desejamos e os imponderáveis fazem parte da mesma, e não devem ser sequer mencionados como desculpas. Tal como numa escola, hospital, empresa, etc., quando alguém fica com uma gastroenterite e usa as mesmas instalações sanitárias, balneários e afins, há uma forte hipótese de contágio. Quem não conhece a sintomatologia da gastroenterite, pode entrar nessa odisseia googliana e tirar as suas conclusões. Fejsa e Almeida são dois grandes atletas do Benfica, que apesar das dificuldades deram tudo nos jogos a que foram chamados. Salvio não é menos jogador que os colegas, mas o timing dos sintomas muito provavelmente deixaram-no a ver o jogo num sofá de porcelana.

 

Não obstante essas adversidades, o Benfica fez um bom jogo, com coisas boas a reforçar e outras a rever e refletir. Na generalidade foi superior ao adversário de forma mais contundente do que contra o Fenerbahçe, contudo o resultado foi mais insatisfatório, deixando tudo por decidir na segunda mão na Grécia.

 

Pontos positivos

Almeida. Depois de um dia doente, no dia seguinte estava em campo com toda a entrega habitual e sem comprometer. Teve menos intensidade, naturalmente, mas não lhe ouvimos um queixume. Grande jogador.

 

Grimaldo continua a ser o nosso porto seguro de saída da pressão na primeira fase de construção. É a par de Pizzi o pensador e playmaker da equipa. Tem a particularidade de o fazer a partir do flanco esquerdo e da defesa, mas não vejo nisso qualquer problema, apenas uma particularidade com consequências boas e más (menos espaço e menos diversidade de opções, com a linha lateral a servir de "defesa" adversário). Defensivamente teve alguns problemas em lances de um para um. No ataque, não fez um golo soberbo por muito pouco.

 

Ferreyra está a crescer de jogo para jogo, sendo que se mostrou mais colaborativo em combinações com os colegas e perigoso nos remates. Não marcou devido a boas intervenções do guarda-redes adversário.

 

João Félix entrou e abanou com o jogo. Deixou a ideia de que se tivesse entrado mais cedo o Benfica teria marcado. Fantástica visão de jogo e execução quase perfeita. Estou ansioso para vê-lo a obrigar Rui Vitória a colocá-lo a titular.

 

No geral a equipa esteve praticamente toda bem, assinalando-se uma considerável perda de intensidade a partir dos 60 minutos e algumas características de alguns jogadores a analisar a seguir.

 

Pontos de melhoria

Cervi e Zivkovic. Por razões diferentes, o Benfica jogou quase sem extremos. Cervi correu muito, foi intenso como sempre, mas ofensivamente teve muitas dificuldades. Perdeu os duelos individuais, fez poucas combinações e jogou excessivamente em transporte, quase sempre contra a parede grega. Houve momentos do jogo em pensei que podia passar Cervi para lateral e Grimaldo para extremo.

 

Do outro lado do campo, Rui Vitória colocou Zivkovic, que amiúde trocou de posição com Gedson, passando a ocupar momentaneamente zonas interiores. Pareceu interessante a ideia e baralhou um pouco os gregos, mas com a perda de intensidade da equipa ao longo do jogo, pouco mais se viu essa dinâmica e Zivkovic acabou por ser substituído na segunda parte. O sérvio tem imensa qualidade técnica, uma leitura de jogo fantástica, e se fosse titular, o futebol de ataque do Benfica passaria quase sempre por ele. Contudo, é necessário rever o modelo de jogo para colocar Zivkovic a extremo. No modelo atual, encaixa melhor a interior, no lugar de Pizzi ou Gedson, mas a extremo, com as dinâmicas atuais, não há depois ninguém a dar profundidade ou a movimentar-se em zonas próximas da área, para além do ponta de lança. Acresce ainda o facto de Zivkovic, embora ágil e rápido a decidir bem em espaços curtos, ser lento quando há muitos metros para correr em condução, aproveitando pouco os espaços que estavam a surgir nas transições. Posteriormente, Rafa entrou e começou a provocar mais dificuldades nesse setor. O sérvio faz-me lembrar Iniesta, porque não joga mal em lado nenhum, mas não é no tipo de extremo que o Benfica tem neste momento, que oferece tudo o que pode dar. No jogo com o PAOK, com Almeida menos capaz de dar profundidade, verificou-se uma grande perda de rendimento no flanco direito, comparando com a agressividade de Salvio.

 

Num balanço geral, o Benfica tem todas as condições para chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões. Não será fácil ao PAOK voltar a conter o Benfica, que se mostrou algo perdulário na finalização no jogo da primeira mão. Será seguramente um grande desafio, mas com mais tempo de recuperação após o derby da amanhã, penso que a equipa estará à altura das exigências.

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